QUE VIOLÊNCIA É ESSA? (1)

QUE VIOLÊNCIA É ESSA? (1)

 

“Violência foi o que fizeram com a Presidente Dilma, condenando uma mulher honesta e Vossa Senhoria não fez nada, ou melhor, não colocou para julgamento a anulação do impeachment?” (este foi o primeiro item da publicação “QUE VIOLÊNCIA É ESSA?, publicado no dia 07 de abril”)

Voltando ao texto publicado neste Blog com este título, no dia 07 de abril, os assuntos deram ensejo para discutir cada item, demonstrando a verdadeira violência, ou atos de violência praticados neste país e não a violência das esquerdas como a inferida pela ministra do STF.

O primeiro item do assunto sobre a violência é a questão do impeachment da Presidente Dilma, que apesar de bastante esclarecido, nacionalmente e internacionalmente pelos melhores juristas de todos esses lugares, ainda precisa ser sempre lembrado. Marca a verdadeira  violência que foi. A democracia “roubada” violentamente do povo.

Recentemente Vossa Senhoria disse à Folha de São Paulo que gostaria de marcar a sua gestão como o exercício da pacificação social. E quando questionada disse que a tentativa de pacificar foi permanente, mas não conseguiu a pacificação social, pelo menos naquilo que era sua atribuição. “Porém dei o exemplo de serenidade nos momentos mais difíceis”.

Dilma

Não foi bem isso que se viu. Vossa Senhoria, não conseguiu mesmo, e bem informada que é, sabia das delações, inclusive as de Dilson Funaro sobre a compra de votos pelo Deputado Cunha; sabia que o impeachment havia sido uma grande farsa; sabia que cunha havia sido orientado por Temer a derrubar todos os projetos de Dilma e deixar o governo travado. Assim seria fácil derrubá-la; sabia que a Dilma estava prestes a desmascarar o Quadrilhão do PMDB/PSDB/DEM; sabia da banalização dos vazamentos seletivos; sabia das irregulares das prisões preventivas e temporária; e mais, Vossa Senhoria deve ter ouvido o primeiro discurso de Aécio, uma peça da maior demagogia dos últimos tempos, no mesmo episódio em que mostrou claramente o resultado que viria da oposição “intransigente”, como se expressou e que aos poucos foi sendo provado. Não é a toa que o candidato derrotado pediu recontagem dos votos; pediu a cassação do Registro de Dilma para nomeá-lo. Nomeá-lo, como presidente. Mesmo assim, acovardou-se participando intestinamente do Golpe.

Além disso, todos sabiam que tucanos afirmavam que Dilma não iria ficar no poder até 2018. Daí as consequências que viriam se confirmar com as “pautas bomba”, as verdadeiras responsáveis pela crise política que se abateu desde então, impedindo que a política do governo Dilma fosse implantada para enfrentar a maior crise do capitalismo desde a Crise de 29. Num grande acordão dentro do Quadrilhão, o Brasil tornou-se refém do PSDB. Em seguida veio a traição, a verdadeira violência, que não foi de uma pessoa apenas, mas sim, contra o Programa de Governo que havia sido aprovado nas urnas. A partir daí, os golpistas, grupo do qual Vossa Senhoria faz parte, mudaram radicalmente a condução das políticas de governo, passando do nacionalismo para o entreguismo.

Vossa Senhoria sabia muito bem dos argumentos da defesa de Dilma que dizia: “Entendemos que na defesa da Constituição e do Estado Democrático de direito, o Poder Judiciário não poderá deixar de se pronunciar a respeito, determinando a anulação do impeachment de Dilma Rousseff, por notório desvio de poder e pela ausência de qualquer prova de que tenha praticado crimes de responsabilidade”, afirmou o advogado da ex-presidente.

Vossa Senhoria sabia que o TCU havia inocentado a presidente Dilma Rousseff de prejuízo com a refinaria de Pasadena; sabia, ainda, que o Ministro Fachin havia inocentado Dilma da acusação de obstrução da Lava Jato; sabia que o Procurador da República de Brasília Ivan Cláudio Marx já havia se pronunciado de que não havia provas de que nem Lula nem Dilma eram donos de contas no exterior, como havia dito Joesley Batista; e que mesmo antes do impeachment o mesmo procurador já havia se manifestado dizendo que não havia crime no caso das pedaladas fiscais; sabia que as razões do impeachment só sobreviveram nas vozes da mídia, capitaneada pela Golpe.

Portanto, apesar de saber que a devolução do mandato a Dilma Rousseff era importante para o restabelecimento da ordem democrática do país nada fez para que isso pudesse acontecer, mesmo depois de assumir a Presidência do STF.

Isso sim é violência, mesmo sabendo que o STF poderia ter feito uma correção de rumos para restabelecer a democracia. Ao invés disso passou a assumir a sua desmoralização. Agora já é tarde. A história vai contar esses e outros episódios. É só aguardar.

Autoria: Milton Machado Luz

Cientista Social e autor de artigos sobre história, cultura e literatura.

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