Política e Cidadania (I)

Política e Cidadania (I)

Política e Cidadania (1)

Começar a desenvolver este tema não é fácil. São tantas as frente e os nós criados nas malhas de interesses do capital (sistema capitalista ao qual pertencemos) que se vê com dificuldades de classificar tudo.

Já estamos terminando o primeiro quarto de 2017. Já dá para enxergar 2016 lá atrás.

O povo brasileiro não tem o costume do estudo, da pesquisa. Vão para o clube, para o campo de futebol, para o banco, para a loja, para o supermercado, para o sindicato, para o serviço, para o bar, e porque não dizer para a escola, sem saber quais as relações sociais, políticas e econômicas que estão por trás de cada AÇÃO. Não estou falando de teorias profundas e acadêmicas sobre cada um desses assuntos. Falo do básico, daquilo que cada cidadão deveria saber, e também defender já que pregamos estar numa democracia. Por exemplo: a maioria pensa que o Ministério Público é órgão do Poder Judiciário. E não é. É uma informação básica. Que além da Constituição do Brasil existe um Código Civil que rege a vida do cidadão. Que toda profissão, quando bem organizada possui um Código de Ética. Que todo Clube possui um Estatuto e geralmente um Regimento Interno que precisam ser seguidos. Que existe uma Consolidação das Leis Trabalhistas que regeram até hoje a vida do trabalhador quando contratado por qualquer empresa. Que existem dissídios coletivos, contribuições sindicais. Que todo município deve ter um Plano Diretor, um Código de Posturas. A mesma coisa pode-se dizer do Legislativo. Poucas pessoas sabem dizer como esses políticos chegaram até lá. E assim por diante.

Por isso cria-se nesta seção um informativo, assim, quando discutir algum assunto, pode-se saber do que se está falando e perceber as relações sociais, econômicas e políticas que estão por trás de cada instituição ou acontecimento.

Por sua vez, tem-se também uma mídia muito forte que é dominada pelas elites poderosíssimas e ricas do país e do mundo. Que estão sempre do lado daquele Capital a que se referiu lá em cima. Isso faz com que informações sejam distorcidas e massificadas, isto é, sejam disseminadas sem um sentido crítico, o que confunde mais ainda a cabeça do cidadão que se torna um verdadeiro refém dessas informações. Sem possibilidade de ter acesso a outra forma de compreender a realidade, o cidadão torna-se mediocrizado por essa mídia, como tantas vezes já comentaram os críticos do sistema em que se vive.

As redes sociais, de alguma forma, provocaram uma abertura, um racha nesse sistema de informações produzindo muita coisa boa. Assim como a mídia alternativa, geralmente lutam muito para sobreviver e não recebem dinheiro do governo. Mas, ao mesmo tempo, também, tem muita coisa ruim sendo produzida pelas redes sociais, inclusive sendo financiadas pelos representantes do Capital. Geralmente disseminando mentiras. Por isso é preciso saber discernir as informações e como elas foram produzidas. Para esse fim é preciso desenvolver uma certa metodologia de análise. É preciso também saber as fontes de informação. Muita gente nas redes sociais compartilha informações completamente falsas, sem o mínimo de espírito crítico para discernir a verdade da mentira.

Associada à mídia existe ainda o complexo das propagandas. Tratando-se de algo financiado pelas empresas que possuem dinheiro para isso, e sustentam a grande imprensa, os cidadãos são constantemente enganados pelas informações, a ponto de necessitar de um Código de Defesa do Consumidor para se defender. Mas não é só isso. A propaganda cria necessidades, induz ao consumo, humilha aqueles que não podem ter acesso a certos produtos, cria a violência e trabalha a ideia de que competir é saudável. Competir não é saudável não. Tudo isso são armas que o poder tem para dominar a massa e impor suas ideias. Portanto, vamos discutir a cidadania.

Milton Machado Luz – Rio Claro, 01 de maio de 2017

Autoria: Milton Machado Luz

Cientista Social e autor de artigos sobre história, cultura e literatura.

Posts Relacionados
Deixe um comentário