NO PAÍS DA MENTIRA XIII: A GLOBO CONTINUA SUA SAGA CONTRA LULA

Não citei nenhum nome nos meus comentários sobre os agentes da mentira porque sempre considerei isso uma obra coletiva, mas hoje, tenho que nominar. O Valdo Cruz-Credo fez o pior comentário do dia, só para começar esta semana de muitas mudanças. Conseguiu chegar ao nível de um lamentável Merval.

A GloboNews colocou no ar uma fala do sue queridinho Moro (quase cinco minutos), no que o Valdo comenta: não se pode deixar de lado as conquistas da Lava Jato, tentando mostrar que o placar da 2ª instância foi apertado e que o combate à corrupção foi uma grande conquista da força tarefa. Lamentável. Só se esqueceu de dizer que em nome da corrupção a força tarefa era a própria corrupção. Será que ele não prestou atenção no voto do Gilmar Mendes? Prestou atenção sim, o problema é que foi uma fala sem vergonha ao omitir o que foi demonstrado claramente pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal:um voto incontestável.

O repórter-comentarista não diz, por exemplo, que o combate à corrupção dentro do Ministério Público não precisa de Força Tarefa. Que isso foi uma armação taxada por muitos de quadrilha. Ao falar sobre as conquistas financeiras da Lava Jato omitiu o estudo da CUT que demonstrou claramente o desastre que foi essa operação. Será que ele não sabia desse estudo? Claro que sabia. Na sua posição, claro que foi assistir a apresentação do Sérgio Nobre, durante live de lançamento do estudo da CUT. Como jornalista naquela posição jamais poderia ter falado isso, quando todos bem informados já sabiam dos megaprejuízos causados pela Lava Jato. A CUT, com dados do Dieese já demonstrou claramente esse prejuízo. “Intitulado de “Implicações econômicas intersetoriais da operação Lava Jato”. O estudo mostrou que Brasil perdeu R$ 172,2 bilhões de reais em investimento no período de 2014 a 2017”. O estudo também mostrou que no total, a Lava Jato contribuiu para exterminar cerca de 4,4 milhões de postos de trabalho. E com certeza, hoje não teríamos mais de 14 milhões de desempregados não fosse a destruição de empresas pela Lava Jato. Um recorde que não depende da epidemia.

Resta-nos perguntar: o que significou essa intervenção? Esse tempo de televisão, esse espetáculo medíocre na tentativa de causar alguma ilação com a figura do Lula e a defesa da Lava Jato? A Globo que preparava o marreco de Maringá como um dos seus candidatos estava despeitada?

A imprensa internacional que não cansou de denunciar o que estava acontecendo no Brasil com o ex-presidente, analisando o andamento recente dos processos classificou a Lava Jato (através dos três maiores Jornais do mundo, New York Times, The Guardian, The Daly Telegraph), COMO O MAIOR ESCÂNDALO DE CORRUPÇÃO JUDICIÁRIA DO MUNDO. E não deixou de acrescentar: foi culpada pela eleição de Bolsonaro e pelo atual caos pandêmico fora de controle do Brasil.

Por que? Quem mandou o repórter, que não tem nenhum caráter pra aceitar tal tarefa, fazer esse pronunciamento? Será que ele não acompanha as denúncias do Intercept? Será que nem ouviu falar da “farra de Curitiba”? Será que não viu pelo menos a capa da última Carta Capital: “O Fim da Farsa”? Claro que acompanhou, claro que viu. Daí a pergunta que fica no ar.

O fato é que o ocorrido só vem corroborar o que sempre colocamos no título: “O país da mentira”. Uma emissora do porte da Globo, além de desvirtuar o assunto deixar de informar corretamente, é um fato muito grave.
Milton Machado Luz

Autoria: Milton Machado Luz

Cientista Social e autor de artigos sobre história, cultura e literatura.

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