Homenagens a Dalva de Oliveira (I)

Começam hoje, em Rio Claro – SP, as homenagens à rio-clarense Dalva de Oliveira. O dia cinco de maio marca a data do seu nascimento em 1917.

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A Secretaria da Cultura de Rio Claro e o Arquivo Público e Histórico do Município comandarão os eventos que acontecerão no Casarão da Cultura na Avenida Três, esquina com a Rua Sete. A abertura será às 19h00 e contará com a apresentação do duo “Viva Dalva”, voz e piano e da Banda “Estela Dalva”.

O Duo da apresentação “Viva Dalva” é composto pela cantora Vilma Faggioli e pelo pianista Wagner Muccillo. O espetáculo, ao qual tivemos o prazer de assistir e nos emocionar nas comemorações dos 90 anos volta agora, novamente, para fazer esta justa homenagem nos cem anos do nascimento da Rainha da Voz. Fátima Camargo foi a criadora e fez a direção artística dessa apresentação. Fantástica apresentação.

A história de Dalva de Oliveira merece muito respeito pela sua trajetória e influências que arrebatou em pelo menos três décadas do século XX, marcas que ficarão para sempre entre os artistas, estudiosos da música e da cultura brasileiras, bem como a todos aqueles que se tornaram seguidores da Rainha.

Em seu livro “Taberna da Glória e outras glórias, mil vidas entre os heróis da música brasileira”, Hermínio Bello de Carvalho, org. de Ruy Castro, Rio de Janeiro, Edições de Janeiro de 2015, que faço aqui questão de divulgar, há um trecho que resume bem a participação de Dalva nessa história:

“Primeiro, fazia serenatas com o pai. Depois, foi ser arrumadeira na casa de um professor de ginástica e balé. Depois, mambembou na trupe de Antonio Zovetti, até que Milonguita (tangueiro) a levasse para a Rádio Sociedade. Foi trabalhadora na Cancela, em São Cristóvão: lá conheceu Herivelto Martins e Nilo Chagas, a dupla Preto e Branco, com quem formaria depois o Trio de Ouro. O título de “Rainha da Voz” recebeu-o das mãos do próprio rei, Chico Alves. Era a cantora preferida de Villa-Lobos e a muito amada de Caetano Veloso e Maria Bethânia. No início de sua ascensão, Tom Jobim escrevia-lhe arranjos. Vieram a fama e a fortuna. Os títulos se acumularam: “Rainha do Rádio” em 1952, “Rainha dos Ranchos” em 1970, Rainha, sempre rainha. E a tudo agradecia, as mãos cruzadas no peito”.

Mil histórias poderiam ser contadas sobre Dalva de Oliveira, tal a riqueza de sua trajetória. O fato é que, além do talento, foi uma das mais idolatradas intérpretes da música brasileira de todos os tempos, arrebatando milhares de fãs que perduram até hoje. Daí a importância desta homenagem que deverá deixar sua marca na cidade onde nasceu.

Milton Machado Luz – Rio Claro, 03 de maio de 2017.

Autoria: Milton Machado Luz

Cientista Social e autor de artigos sobre história, cultura e literatura.

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