Estudos – II MOVIMENTO

Como foi visto no primeiro movimento, toda vida social precisa da AÇÃO que leva à defesa da sobrevivência para se estabelecer. Dados os exemplos, concluiu-se, portanto, que na produção da vida social não existe nada fora do que vai se chamar agora de economia política. No mesmo sentido do que se pode dizer que não existe nada fora da natureza. Poderia se dar tantos outros nomes para esses acontecimentos, mas não há necessidade de fugir dos termos já consagrados: produção social da vida; relações de produção; e economia política, bem como outros que virão na sequência que não desmerecem em nada as categorias que representam.

Antes, porém, de entrar no significado propriamente dito das expressões acima, será preciso tecer considerações sobre o maior estudioso desses elementos que foi Karl Marx. Caso contrário seria sonegar o aprofundamento dos estudos daquele que foi o maior elaborador dessa teoria, o que não seria nada ético. Deixemos o preconceito de lado, pois isso, no mundo ocidental, é produto de uma “mídia” fortíssima, de uma propaganda enganosa fortemente armada, que impede a maioria de compreender o mundo. Claro que teremos que voltar a este assunto mais tarde. Por enquanto deve-se concentrar no assunto que se começou a esboçar. É que, sem sombra de dúvida, Marx foi o maior pensador das ciências sociais até hoje, e, também, o maior filósofo de todos os tempos até a presente data. Portanto, mais uma vez, não dá para entender o mundo daqui para frente, sem passar pela obra desse magnífico pensador. Isso já é unanimidade entre os também grandes pensadores. Por sua vez, criticá-lo exige conhecimento de sua obra, mesmo que através daqueles que a estudaram atenciosamente, sob pena de se cair no senso comum do pensamento idiotizado. Por isso o preconceito deve ser deixado de lado.

Karl Marx nasceu no dia 05 de maio de 1818, em Trèves, cidade situada ao sul da Prússia, um dos muitos reinos em que Alemanha estava fragmentada.  Em consórcio com seu amigo Friedrich Engels, também nascido na Alemanha em Barmen, distrito de Wuppertal, no dia 20 de novembro de 1820, construiu uma obra essencial para o entendimento das sociedades humanas, estabelecendo ao mesmo tempo uma metodologia fundamental para embasamento desses estudos. Não se deve esquecer a participação essencial de sua mulher Jenny von Westphalen e das filhas Eleonor e Laura, parceiras dedicadíssimas ao marido e pai e aos estudos por ele desenvolvidos para se chegar à conclusão de sua obra.

Para conhecer a Biografia desse autor e histórico dos seus trabalhos nada melhor do que a obra “Amor e Capital” de Mary Gabriel, aqui no Brasil publicada pela Editora Zahar em 2013.

Isso tudo significa que daqui para frente deve-se citar as obras de onde certas referências serão retiradas, diferentemente do que se fez no “Estudos – Primeiro movimento”, que foi uma introdução geral para situar todas as sociedades estudadas dentro dos limites da economia política. Com relação aos outros autores também, é claro. As fontes são importantíssimas.

Continuando. As consequências do que foi dito esclarecerão o restante do que deve ter como compreensão da dinâmica da sociedade e da metodologia aplicada. Ao estudar a Filosofia do Direito de Hegel, obra mais avançada até aquele momento, o autor deixa claro que as suas investigações o levaram à conclusão de que:

“… tanto as relações jurídicas como as formas de Estado, não se podem compreender por si mesmas nem pela chamada evolução geral do espírito humano, senão, pelo contrário, tem suas raízes das condições materiais de vida, cujo conjunto, resume Hegel, seguindo o exemplo dos ingleses e franceses do século XVIII, sob o nome de sociedade civil, e que a anatomia da sociedade civil há que ser buscada na ECONOMIA POLÍTICA”.

Este texto, excepcional, assim como o texto seguinte, extraídos do Prefácio da “Contribuição à Crítica da Economia Política”, escrito em 1859, colocam com todos os méritos a essência do problema. E continua:

“O resultado geral a que cheguei, e que, uma vez alcançado, serviu de elo condutor nos meus estudos, podem formular-se brevemente da seguinte maneira. Na produção social de sua vida, os homens entram em determinadas relações necessárias e independentes de sua vontade, RELAÇÕES DE PRODUÇÃO, que correspondem a uma determinada fase de desenvolvimento de suas FORÇAS PRODUTIVAS MATERIAIS. O conjunto destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base sobre a qual se levanta a SUPERESTRUTURA JURÍDICA E POLÍTICA, e a qual correspondem determinadas formas da consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens o que determina o seu ser, senão, pelo contrário, é seu ser social o que determina a sua consciência”.

Com estes dois textos, de uma clareza contundente, encerra-se este segundo Estudo, dando tempo para reflexão. Neles estão esboçados os princípios de sua filosofia, de sua sociologia e a consequente metodologia que deverá ser seguida para os estudos e aprofundamentos que fornecerão as bases da compreensão do que se passou a denominar sociedade capitalista.

Autoria: Milton Machado Luz

Cientista Social e autor de artigos sobre história, cultura e literatura.

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